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Pequenos gestos, grandes mudanças

5 de out.
3 min de leitura

Existe uma ideia de transformação que costuma nos acompanhar: a de que, para mudar a vida, precisamos fazer algo grandioso.

Tomar uma decisão definitiva. Romper com o que não funciona. Começar de novo. Mudar tudo de uma vez.

Mas nem sempre é assim.

Às vezes, a mudança começa de uma maneira muito menos evidente.

Começa quando paramos.

Quando percebemos que estamos repetindo uma situação que já não queremos viver.

Quando conseguimos reconhecer uma emoção antes de reagir a ela.

Quando, em vez de perguntar apenas “o que eu devo fazer?”, começamos a perguntar:

“O que está acontecendo comigo?”


Mulher em momento de reflexão diante da paisagem

Antes de mudar, é preciso perceber


Vivemos boa parte dos nossos dias no automático.

Fazemos escolhas, respondemos às pessoas, assumimos responsabilidades, cumprimos compromissos e seguimos adiante.

Muitas dessas atitudes são necessárias. O problema não está em ter uma rotina, mas em passar por ela sem perceber o que estamos vivendo.

Quando não conseguimos nos perceber, podemos continuar repetindo formas de agir, pensar e nos relacionar que um dia fizeram sentido, mas que talvez já não correspondam ao momento atual da nossa vida.

Por isso, muitas vezes, o primeiro movimento não é mudar.

É ver.

Ver o que sentimos.

Ver como reagimos.

Ver o que estamos escolhendo.

Ver aquilo que estamos evitando.

Ver também aquilo que desejamos, mas ainda não conseguimos assumir.


O pequeno gesto de se escutar


Se escutar não significa encontrar imediatamente uma resposta.

Às vezes, significa apenas reconhecer:

“Isso está me fazendo mal.”

Ou:

“Eu não quero mais viver dessa maneira.”

Ou ainda:

“Eu nem sei o que quero, mas sei que alguma coisa precisa ser olhada.”

Essas percepções podem parecer pequenas.

Mas são importantes porque interrompem, ainda que por um instante, o movimento automático.

Criam espaço.

E é nesse espaço que podemos começar a perceber outras possibilidades.


Nem toda mudança precisa começar com uma grande decisão


Talvez você esteja vivendo uma situação que exige uma escolha.

Talvez esteja cansada de repetir determinados padrões.

Talvez esteja em uma relação, em um trabalho ou em uma fase da vida que já não parece fazer sentido da mesma maneira.

É possível que ainda não saiba exatamente o que fazer.

E tudo bem.

Nem sempre precisamos ter a resposta para começar a nos movimentar.

Podemos começar por uma pergunta.

Por uma conversa.

Por um limite.

Por um “não” que antes não conseguíamos dizer.

Por um “sim” que finalmente conseguimos sustentar.

Por alguns minutos de silêncio para perceber o que realmente está acontecendo.

O movimento pode ser pequeno.

O que importa é que ele seja consciente.



Olhar para si nem sempre é confortável.

À medida que percebemos nossa história, nossas escolhas e nossos padrões, podemos encontrar coisas que preferíamos não enxergar.


Mas se ver não significa procurar culpados.

Nem transformar a própria história em uma sentença.

Significa reconhecer o que existe.

Compreender de onde algumas formas de agir podem ter vindo.

E perceber que compreender a própria história não significa permanecer presa a ela.

Existe uma diferença entre dizer:

“Eu sou assim.”

e perguntar:

“Eu aprendi a ser assim. Isso ainda faz sentido para mim?”

Essa pergunta pode abrir espaço para uma escolha diferente.


A transformação pode começar antes de sabermos para onde vamos


Talvez seja essa uma das partes mais difíceis do processo: aceitar que nem sempre teremos clareza antes de começar a caminhar.

Às vezes, a clareza vem depois que conseguimos olhar.

Depois que reconhecemos algo.

Depois que deixamos de lutar contra uma realidade que já está diante de nós.

Depois que assumimos aquilo que nos cabe.

Por isso, talvez o próximo passo não precise ser enorme.

Pode ser apenas o próximo passo possível.

Aquele que você consegue reconhecer como seu.


E talvez seja aí que começa o VER.SE


Para nós, autopercepção não é encontrar uma versão ideal de quem deveríamos ser.

É ampliar a capacidade de olhar para quem somos, compreender nossa história, reconhecer o lugar que ocupamos e perceber que existem escolhas que podem ser feitas a partir daí.

Porque, antes de mudar alguma coisa, precisamos conseguir vê-la.

E, às vezes, o primeiro gesto de transformação é justamente esse: parar por um instante e conseguir se ver.

Talvez você não precise ter todas as respostas agora.

Talvez possa começar apenas por uma pergunta: o que existe em mim que ainda precisa ser visto?




Consciência. Autonomia. Movimento


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